abril 21

Quanto você está disposto a arriscar?

Olá, pessoal!

Esse é o primeiro post da categoria Filosofando.

Será um lugar onde irei discutir ideias, compartilhar pensamentos, abordar conceitos, levantar dúvidas e falar de coisas que achar interessante.

O objetivo é trazer assuntos para discussão e análise. Não se trata de dizer o que é certo ou errado, ou melhor e pior, mas sim refletir e deixar que cada um aproveite a argumentação da melhor forma possível. Esse espaço reflete apenas a minha opinião pessoal.

Dito isso, hoje quero conversar sobre como falamos de valores no mundo dos robôs, e como isso pode ocasionar uma falsa impressão, influenciando erroneamente a tomada de decisão dos investidores.

Já ouviram falar sobre os “perfis de investidores”, como conservador, moderado e arrojado ou termos similares? De maneira simplificada, é uma tentativa de categorizar pessoas de acordo com a sua tolerância ao risco. Isso permitiria a instituições financeiras, assessores e gestores de patrimônio oferecer opções mais adequadas a cada cliente, por um lado economizando tempo e, por outro, diminuindo a probabilidade de insatisfação.

Até aqui tudo tranquilo. Mas você já parou para pensar quantas vezes alguma instituição lhe perguntou diretamente qual é o seu perfil? Ou qual o motivo de responder longos questionários para que nosso perfil seja estabelecido, em vez de perguntar diretamente? O motivo é que as respostas obtidas diretamente não são muito confiáveis.

O interessante é que não há nenhum incentivo ou clara vantagem para o indivíduo deliberadamente mentir sobre sua tolerância a riscos. Isso me leva a concluir que se trata da autoimagem imprecisa que boa parte das pessoas tem de si mesmas em relação a dinheiro.

Aqui, não existe certo ou errado, existe a realidade de cada um e as particularidades individuais. É compreensível um jovem de 30 anos ter uma tolerância ao risco muito maior que uma pessoa aposentada de 70 anos. Assim como pessoas com filhos serem mais conservadores que aqueles que não os têm. Eu conheço pessoas dispostas a arriscar todo o seu patrimônio em um investimento, assim como pessoas milionárias que não aceitariam perder 20k no mercado financeiro.

Se eu colocar 100k nesses robôs, quanto renderia? Minha simulação está baseada em um capital de 90k. Será que dá para operar esse robô com 85k? Esse resultado é de um investimento de 75k? Então se colocar 150k vou ganhar o dobro? Eu quero botar 200k nesses robôs que você opera, é suficiente?

Esses são só alguns exemplos de frases reais que escutei essa semana. Em todos os casos, a minha resposta foi a mesma: Antes de tudo, quanto você está disposto a arriscar? Quanto efetivamente você está disposto a perder?

Essa é a informação mais importante para planejar um investimento com robôs. Sem uma resposta honesta e consciente, torna-se muito difícil chegar a uma operação adequada para qualquer investidor. Uma operação inadequada pode frustrar expectativas e até gerar uma interrupção prematura do investimento, causando stress e prejuízos desnecessários.

Imaginem dois investidores que se dizem dispostos a investir 100k cada em uma operação de robôs. O investidor 1 coloca como limite operacional de rebaixamento de capital 20k, quando encerraria o investimento. O investidor 2 tem como limite operacional de rebaixamento 50k.

O investidor 1 não está investindo 100k, mas sim 20k. Teoricamente, os 80k restantes nunca estarão em risco. Assim como o investidor 2 também não está investindo 100, mas sim 50k. Dessa forma, as carteiras de robôs deverão ser diferentes, e devem ser montadas baseadas nos valores efetivamente em risco. Não sendo assim, existe grande chance de superexposição e necessidade de encerramento da operação por atingir o limite operacional.

Às vezes, quando olhamos para uma curva de resultados históricos de 5, 6 ou 7 anos, perdemos a perspectiva do tempo. Dá a impressão de ter sido só maravilhas para o investidor. É fácil esquecer que uma pequena oscilação negativa da curva significa 6 meses seguidos de prejuízos. O longo prazo, quando vivido, demora bastante a chegar. Não subestime o que uma perda financeira além do esperado, carregada por um longo período de tempo, pode causar na sua vida. Não superestime a sua tolerância a risco.

Se você investe ou pretende investir em robôs, faça a pergunta certa e responda honestamente a você mesmo, quanto você está realmente disposto a arriscar? Isso pode salvar o seu dinheiro e a sua qualidade de vida.