abril 23

Contratempos fazem parte do processo

Olá, pessoal!

No último post eu disse que iria publicar, ainda neste final de semana, detalhes adicionais e o plano operacional do novo projeto. Infelizmente, não serei capaz de fazer isso. Para avançar, são necessárias informações adicionais sobre o robô, que solicitei por e-mail para a BRA.

Acontecimentos desse tipo não são inesperados. O processo de decisão e a elaboração do plano operacional de um novo robô não é trivial. Ainda mais quando tantos elementos da operação são novidade. Na verdade, deve ser difícil, já que estamos falando de colocar o nosso dinheiro em risco. Em virtude do compromisso assumido da divulgação de todo o processo deste novo projeto, abaixo você encontrará uma introdução teórica e em que etapa preciso de mais informações para avançar.

Invariavelmente, o que me leva a cogitar arriscar meu dinheiro em operações utilizando robôs é o lucro que posso obter. Se o lucro for atrativo, passo a analisar os riscos envolvidos.  Finalmente, se as informações coletadas forem confiáveis, a decisão se dá na análise da relação risco/retorno.

Em geral, tanto os lucros esperados como os riscos assumidos só podem ser estimados pelos resultados passados do robô analisado, chamado histórico. São dos históricos que extraímos informações associadas ao desempenho de robôs, como drawdown, percentual de acertos, lucro esperado por operação, fator de lucro, etc. Portanto, a fonte mais relevante de informação sobre um robô é o seu histórico.

Existem dois tipos de históricos que julgo serem os mais importantes para a análise de robôs. O primeiro e mais difícil de encontrar é o chamado histórico real. É o histórico de uma operação real, com ordens executadas de verdade na bolsa, utilizando o robô. É, por exemplo, aquela planilha onde você coloca os resultados que você vê na conta da sua corretora, ou os resultados que são publicados nesse blog todos os dias. Apesar de não ser infalível, esse tipo de histórico é o mais confiável e, portanto, o que fornece a melhor estimativa do que aconteceria caso você tivesse operado aquele robô no passado.

O segundo tipo é o histórico simulado, também conhecido como backtest no Metatrader. Esse tipo é o mais facilmente encontrado e, em linha com o seu nome, históricos desse tipo são simulados em computador, com a utilização de modelos teóricos. Nesse caso não existem ordens executadas na bolsa, apenas uma suposição de execução. A confiabilidade desse tipo de simulação pode variar muito dependendo, dentre outros, do software, da qualidade da série histórica de preços e do tipo de simulação utilizados. Consequentemente, é o que fornece a pior estimativa do que teria acontecido caso você tivesse operado aquele robô no passado.

Existe ainda um grupo relevante, dentro dos históricos simulados, que vale a pena comentar, é o que eu chamo de histórico de sinal. Seria, de certa forma, uma composição dos dois primeiros tipos e surgiu de uma solução de comercialização de robôs. Nesses históricos, o robô estava efetivamente em operação no passado e gerava sinais de entrada e saída, enviando-os a um servidor central. O servidor, então, repassava a ordem para os clientes que, por sua vez, enviavam ordens de compra e venda diretamente para a corretora. Nesses casos, o histórico dos sinais de entrada e saída gerados pelo robô é real e, a partir dele, faz-se uma simulação do resultado teoricamente executado na bolsa. Esse é o histórico que encontramos no site do Trader Gráfico e do MQL5. Ele é um pouco mais preciso e confiável que a simulação pura, mas ainda é bem menos confiável que o histórico real.

A mensagem mais importante que quero passar para vocês hoje é que, independentemente do tipo de histórico anunciado, duvide e valide!

Ao começar a análise de um dos robôs candidatos a integrar a minha operação, me deparei com dois históricos simulados. O primeiro é um backtest produzido pelo Metatrader 5, com resultados do período de 01/01/2014 a 30/06/2016. O segundo, um histórico de sinal, publicado no MQL5, com resultados a partir de 23/08/2016.

O primeiro passo a fazer quando começo a analisar um novo robô é avaliar e validar os históricos. A decisão será tomada baseada nos históricos. A confiabilidade dos históricos é, portanto, crucial para uma estimativa realista do risco e do retorno esperados. Apesar de não ser religioso, vale citar uma frase atribuída ao grande estatístico americano Willian Edwards Deming: “In God we Trust, all others bring data”.

No caso de SimpleWin e Reflux, por não ter acesso ao robô, mas apenas aos sinais gerados por eles, as validações dos históricos foram feitas operando 1 minicontrato em cada sinal e comparando, diariamente, o executado na minha conta real e o publicado nos históricos do site Trader Gráfico. Sempre que possível, eu também criava uma simulação e comparava o resultado simulado diário com o executado.

Desta vez, como o robô foi desenvolvido no Metatrader e está disponível para download na página do fornecedor, decidi baixa-lo e tentar reproduzir o backtest divulgado na página. Não consegui de forma alguma chegar próximo ao resultado publicado.

Devido às limitações da minha experiência e conhecimento na plataforma Metatrader, decidi encaminhar para a assessoria (BRA) essa questão e solicitar, também, uma informação que irá me ajudar a validar os dados apresentados pelo fornecedor. Foram enviados no e-mail:

1 – Gostaria de reproduzir o backtest publicado pelo fornecedor no meu Metatrader 5. É possível? Se sim, como fazer. Se não, qual o motivo?

2 – Gostaria de obter um backtest do período de 01/01/2014 até hoje. (para comparar com o backtest anterior e com  o histórico de sinal)

3 – Se eu operar o robô no mês de maio, vocês se comprometem a enviar, ao terminar o mês, um novo backtest do período de 01/01/2014 até 31/05/2017? (para comparar com os históricos e com o mês de operação real)

Assim, estou no aguardo da resposta da BRA para dar prosseguimento ao projeto.

Desejo a todos uma boa semana e excelentes negócios!