maio 01

Cálculo de rentabilidade – parte 1

Olá, pessoal?

O assunto de hoje é o cálculo de rentabilidade das operações utilizando robôs investidores. Embora possa parecer simples, o assunto possui particularidades relevantes que precisam ser conhecidas pelo investidor. Vamos começar com um exercício para entrar no clima da discussão:

Um investidor identifica uma oportunidade e decide entrar no mercado de compra e venda de imóveis. No seu primeiro negócio, compra um apartamento no valor de R$ 100.000,00, à vista. Passado algum tempo, vende esse mesmo apartamento pelo valor de R$ 120.000,00. Desconsiderando qualquer outra informação, qual a rentabilidade desse investimento?

Essa é fácil, não?  O investidor comprou por 100k e vendeu por 120k. O ganho foi de 20k. A rentabilidade pode ser calculada pelo lucro dividido pelo investimento inicial, 20/100 = 0.2, ou seja, a rentabilidade foi de 20%.

Avaliando como positivo o primeiro negócio, o investidor decide continuar. No segundo negócio, ele encontra uma oportunidade de comprar um apartamento no mesmo valor de 100k, mas dessa vez pagar parcelado em 10 vezes de 10k cada. Em seguida, vende o apartamento pelos mesmos 120k. Porém, tinha pago apenas 5 parcelas da compra. Desconsiderando qualquer outra informação, qual a rentabilidade desse investimento?

Bom, agora a coisa já complica um pouco. O valor comprometido com a compra foi de 100k, mas só foi efetivamente desembolsado 50k. Então, ele vai receber 120k, pagará os 50k restantes da compra e ficará com um lucro de 20k. Como não havia pensado nisso anteriormente, o investidor encara isso como uma situação ocasional, considerando que a forma de pagamento não interfere no seu negócio e, assim, decide calcular a rentabilidade da mesma maneira que no exemplo anterior, concluindo que o negócio rendeu os mesmos 20%.

Ele continua fazendo negócios, um de cada vez, com a mesma lógica. Sempre compra a 100k, parcelado em 10 vezes de 10k, e vende a 120k. Um determinado dia, ele percebe que nunca demora mais do que o prazo de 5 parcelas para vender os apartamentos. Tem, então, a brilhante ideia de comprar 2 apartamentos de uma vez, com a expectativa de vendê-los antes de ultrapassar as 5 parcelas, comprometendo, dentro da sua lógica os mesmos 100k de sempre, mas agora fazendo 2 operações.

Portanto, agora ele compra dois apartamentos de 100k e, como esperado, antes de chegar a pagar mais de 5 parcelas em cada apartamento, vende os dois a 120k cada. Caso ele sempre consiga vender os apartamentos antes de pagar a sexta parcela, qual seria a rentabilidade do investimento?

Nesse caso, por uma decisão racional do investidor, ele está comprometendo 100k do seu capital para comprar bens que valem 200k. Ao vender os dois apartamentos por um total de 240k, descontando o custo das compras, o lucro será de 40k. Desta vez, ao calcular a rentabilidade, o investidor utilizará como investimento inicial os 100k que sabe ser o necessário para viabilizar o negócio, e, portanto, ela será de 40%, ou seja, o dobro da primeira situação. Isso nada mais é do que a famosa negociação do ágio de imóveis, bastante comum em nosso dia-a-dia.

O que o investidor está fazendo chama-se alavancagem. Ou seja, está negociando um determinado valor possuindo apenas parte do total negociado. É exatamente isso que faço nas minhas operações e que permite ganhos elevados, ao mesmo tempo que traz riscos elevados. Para entender melhor a questão, peço que leiam a excelente newsletter produzida por Carlos Martins, criador da plataforma Trader Gráfico, intitulada “Margem, Rentabilidade Duplicada e Alavancagem”. Apesar de um pouco antiga, apenas alguns valores estão desatualizados. Os conceitos continuam válidos e serão utilizados na sequência da discussão.

Devido à quantidade de conteúdo sobre o tema, o assunto será dividido. A parte 2 será publicada em breve.

Um abraço!