junho 23

O racional por trás do Reflux

Olá, Pessoal!

Após começar a divulgar a estrutura e os resultados diários da minha operação no Invest-Robô, regularmente recebo perguntas sobre o Reflux. Alguns exemplos:

  • Por que você usa o Reflux?
  • Vale a pena o custo adicional da assinatura do Reflux?
  • O Reflux ficou negativo nos últimos meses, por que continuar com ele?
  • Você teria ganho muito mais se tivesse só o SimpleWin, né?
  • Qual é o melhor, SimpleWin ou Reflux?

Apesar de parecerem simples, há uma complexidade intrínseca em cada um dos questionamentos acima elencados. Longo prazo, teoria moderna de portfólio, value at risk (VaR), covariância, codependência, são apenas alguns dos conceitos dentre tantos que precisariam ser abordados para uma discussão técnica sobre o assunto. Porém, vou tentar simplificar e mostrar para vocês graficamente o que me levou a adicionar e me leva a manter o Reflux na carteira.

Em primeiro lugar, preciso destacar que conheço e acompanho o Reflux já faz bastante tempo. Na minha opinião é um ótimo sinal e que opera, dentro do possível, com lógicas operacionais um pouco diferente do SimpleWin. Não completamente, pois vemos que na maioria dos dias ambos ganham ou perdem, sendo raras as vezes onde um é lucrativo e o outro leva prejuízo, mas eu não estou focado no resultado diário, mas sim no resultado em períodos maiores.

Dito isso, vou começar a minha análise usando a curva de resultado bruto (sem custos fixos e operacionais) da minha operação com o SimpleWin. Porém, como houveram mudanças de volume na minha operação do SW, para uma análise mais fidedigna, é preciso ajustar o gráfico para um volume linear. Esse ajuste foi feito considerando a diferença de volume de minicontratos. Por exemplo, em agosto de 2016 o total de contratos era 290 e hoje o volume é 455, assim, os resultados diários de agosto foram multiplicados por 1,57 (455/290). Abaixo, a curva original e a curva ajustada por volume que será utilizada na análise:

SW_ajustado

 

Ressaltando, vou a partir de agora usar a curva laranja que, grosso modo, seria o resultado desde 01/08/2016 se tivesse operado o SW desde o início com o volume  de 455 contratos.

Agora, vamos dar uma olhada em como a configuração do Reflux, utilizada desde março deste ano até o presente momento, se comportou no mesmo período:

Reflux_acumulado

 

Analisando a curva de resultado bruto do Reflux, vemos que houve uma queda nos últimos meses, mas que não é nada muito preocupante quando observamos a curva geral. Lembremos, sempre, que é preciso analisar o desempenho no longo prazo e que qualquer estratégia passará por momentos melhores e piores.

A pergunta, então, a ser respondida é se valeria a pena assumir um novo custo fixo, que é a assinatura do Reflux, e adicioná-lo à operação, ou se seria melhor apenas aumentar o volume operado no SimpleWin, mantendo o custo fixo. Vamos então calcular qual teria sido o resultado nas duas situações e analisar os resultados. Para o cálculo da operação conjunta, acrescentando o Reflux, irei somar as curvas de resultado, e subtrair o custo mensal da assinatura do Reflux, de R$ 1.600,00, a cada dia primeiro de cada mês:

SW+Reflux.jpg

 

Para o cálculo do aumento do volume no SW, é preciso definir qual volume seria acrescentado. A configuração analisada do Reflux tem 165 minicontratos enquanto a do SW tem 455. Porém, não seria correto fazer uma relação simples e direta pelo número de contratos. O motivo é que os sinais tem comportamentos muito diferentes e, assim, o capital que eu julgo necessário para operar cada minicontrato no SW não é o mesmo que no Reflux. Assim, como o aumento dos meus investimentos sempre é baseado no aumento do capital investido, essa será a relação utilizada. Sem entrar em detalhes, para operar a configuração do Reflux analisada eu precisaria de R$ 100.000,00, enquanto que a configuração do SimpleWin, R$ 250.000,00. Assim, se fosse aumentar o volume do SW, a proporção seria 100/250, ou 40%. Vejamos, assim, a comparação dos cenários:

Comparativo.jpg

 

Podemos notar que o resultado dos dois cenários, hoje, seriam praticamente idênticos, já incluído na conta o custo da assinatura do Reflux. Porém, a carteira ficou muito mais diversificada e podemos ver períodos onde um dos sinais não performou muito bem, mas o outro está se saindo melhor. Simplificadamente, é aplicar a teoria moderna de portfólio de Markowitz, que lhe rendeu o Nobel de economia em 1990, na carteira de robôs. Claro que ainda há muita correlação entre o SW e o Reflux, visto que ambos operam day trade no mesmo mercado, mas é muito melhor que nada.

Baseado nas informações mostradas acima, me parece óbvio que, apesar do Reflux não ter performado bem nos últimos meses, não estamos nem perto do tempo necessário para reavaliar a decisão de incluí-lo na carteira. Se minhas decisões foram tomadas utilizando anos de histórico, não faz o menor sentido achar que tudo mudou baseado em resultados de 3 ou 4 meses. Ainda mais quando o resultado é praticamente empate, ou seja, o sinal não está afundando em um enorme prejuízo. É preciso dar tempo ao sinal. Três ou quatro meses não é longo prazo.

Porém, não quer dizer que devemos fechar os olhos e ficar alheios ao que acontece. Nesse sentido, irei fazer algumas alterações na configuração do Reflux na tentativa de melhorar alguns quesitos que contribuíram para queda de performance recente. A nova configuração deverá ter 180 minicontratos, 15 a mais que a atual. Serão mantidos praticamente todos os sinais. A proporção entre minicontratos configurados em sinais de compra e venda também será mantida, assim como a proporção entre índice e dólar. Apenas haverá a alteração de alguns layouts e da divisão dos contratos entre eles. Segue a diferença entre as curvas da configuração utilizada até o final desse mês e da configuração que será usada a partir julho de 2017:

Reflux_configuracoes.jpg

 

Vejam que o comportamento dos resultados continua o mesmo durante quase todo o período. Apenas há um descolamento nos últimos meses, onde layouts com stop gain e stop loss muito longos sofreram um pouco mais, devido ao aumento da volatilidade. São ajustes finos que sempre podem ser feitos em qualquer robô ou estratégia. Feitos os ajustes, de novo, é preciso dar tempo para a estratégia trabalhar.

Tentei mostrar acima, de forma simplificada, o meu racional na inclusão de um novo robô, no caso o Reflux, na operação. Porém, esse é apenas o meu processo individual, e não uma receita de bolo. Cada investidor precisa tomar decisões adaptadas ao seu perfil, ao seu capital e à sua visão de longo prazo.

Um abraço!