junho 28

Se comprometa com o longo prazo

Olá, pessoal.

Nessa publicação da série Filosofando quero compartilhar com vocês a minha visão sobre algumas pequenas decisões que podem ser decisivas, para o sucesso ou fracasso, de um investimento baseado em robôs investidores.

Biologicamente, o processo evolutivo otimizou o cérebro humano para a auto-proteção do indivíduo. O medo, quando dentro da normalidade, libera a adrenalina e aguça os sentidos para um eventual perigo ou ameaça. A sensação de incômodo que sentimos quando estamos fora da nossa “zona de conforto” nos estimula a voltar a um estado familiar, onde já conhecemos os riscos e perigos. Ao nos depararmos com a impossibilidade de mensurar sofrimentos e danos, desenvolvemos naturalmente uma aversão à incerteza e ao desconhecido.

Essa genética conservadora é, sem sombra de dúvidas, muito benéfica à sobrevivência da nossa espécie. Porém, é preciso entender que quanto maior o desconforto, quanto maior a incerteza e quanto maior o medo, mais instintiva será a reação.

 

“O homem ainda traz em sua estrutura física a marca indelével de sua origem primitiva.”  (Charles Darwin)

 

A frase de Darwin, ainda muito atual, aponta no sentido de que os avanços intelectuais produzidos pela humanidade, recentíssimas em termos evolutivos, não estão refletidos em nosso código genético. Ética, moral, direitos humanos, legislação, certo e errado, apenas para citar alguns, são conceitos externos, adquiridos ao longo da vida e, portanto, precisam de um mínimo de racionalidade para significarem alguma coisa. O problema é que quanto mais instintivas são as reações, em maior grau são utilizados processos cerebrais automatizados e, portanto, menos racionais.

Portanto, é preciso encarar com naturalidade o fato de que, ao operar robôs na bolsa de valores, a incerteza e um determinado nível de medo sempre estará presente. Para quem nunca operou antes, estes sentimentos serão ainda mais intensos. Com o passar do tempo, a expectativa é que a intensidade diminua, mas isso também não é uma certeza absoluta. Não adianta tentar impedir que aconteça. Temos que aprender a evitar que a nossa origem primitiva nos prejudique no mercado financeiro.

 

Medo

 

Antes de qualquer coisa, você precisa fazer uma profunda autoanálise. Tentar extrair das suas experiências de vida o quanto conviver com a incerteza e o medo irão afetar a sua qualidade de vida. Não é nenhum desmérito perceber que um determinado investimento está muito fora do seu perfil de risco. Nem sempre o resultado financeiro valerá a pena. Nunca superestime a sua tolerância ao risco, pode custar muito caro.

Se você chegou à conclusão de que tem perfil, é preciso entender que é um ambiente novo, mesmo para pessoas que já operam “na mão”. Quanto mais você conhecer do assunto, menor será a sua insegurança. É preciso se aprofundar no tema. Não estou dizendo para você se tornar um expert em análise técnica ou setups, mas conhecer o funcionamento da operação. Entenda minimamente o ativo que será operado. Estude os históricos dos robôs que lhe interessam. Entendam o que é operar alavancado e como calcular o capital inicial adequado para o seu perfil de risco. Leia todas informações disponíveis no site do fornecedor do robô. Mande e-mail com as suas dúvidas para o fornecedor. Mande e-mail para o seu assessor, se tiver. Mande e-mail para mim, se quiser. Mas se informe o máximo possível. Quanto mais informação, você se sentirá mais seguro durante o processo.

Uma vez tomada a decisão de realmente investir, chegamos a um ponto crucial. Será nas primeiras semanas de operação que realmente começará a convivência com a incerteza, a insegurança e o medo. E é nesse momento que eu noto um número muito grande de investidores desistirem e dar baixa contábil em seus prejuízos de forma definitiva. Seja por perceberem que na verdade não possuem o perfil adequado a este investimento, seja por não estarem seguros o suficiente nos elementos que os fizeram tomar a decisão de investir.

É muito importante lembrar que, caso atingido esse momento, teoricamente, o investidor passou um bom tempo analisando a operação de robôs. Analisou longos históricos, backtests e curvas de rendimento do robô escolhido. Fez simulações, analisou o máximo drawdown e calculou o capital inicial adequado. Foram horas e horas de trabalho duro. E tudo vai por água abaixo porque o robô não foi lucrativo nas primeiras semanas ou meses? Mesmo quando essa possibilidade já era conhecida pelo investidor quando analisou os históricos? Será que é no começo da operação, quando o investidor irá sabidamente se deparar com as incertezas e inseguranças, o momento adequado para questionar a decisão de investimento onde se investiu tanto tempo, e que está balizada em anos de resultados positivos do robô? A minha resposta é, enfaticamente, não!

Posso citar, por exemplo, um grupo de pelo menos 10 pessoas que também operavam o SimpleWin quando comecei a testá-lo, em agosto de 2016. Hoje, acredito que no máximo 1 ou 2 continuam. Mais provável é que nenhuma ainda esteja na ativa. Analisando os resultados do blog, vocês gostariam de ter investido junto comigo nesse período? O que aconteceu para as pessoas abandonarem? Onde está o problema, no robô?

 

Proteja_se.jpg

 

Posto isso, o que vocês acham de adicionar uma camada de proteção à sua operação? Bacana, não é? Mas, vejam bem, será uma proteção do seu investimento com relação a você mesmo. Um compromisso na tentativa de minimizar possíveis decisões irracionais que vocês possam tomar, pois estarão entrando em um ambiente totalmente novo. Eu sempre faço isso com os meus novos investimentos.

Mas, como fazer? Dispendendo um pouco mais de tempo, se necessário, antes de realmente investir, mas se comprometendo com o longo prazo uma vez tomada a decisão. Sendo mais conservador e baixando um pouco a expectativa de retorno na hora de definir o volume operado, mas garantindo que a operação, exceto em casos excepcionais, terá o maior prazo possível de duração. Sempre dando preferência aos planos de longo prazo (6 ou 12 meses) nas assinaturas de plataforma, cloud server e robôs. Isso, além de ser um excelente incentivo a continuar operando, gera custos fixos bem menores e rentabilidades muito maiores no longo prazo.

 

LongTerm

 

Tenha sempre como regra preferir qualquer opção que lhe impeça de sair do investimento sem qualquer custo. Assim, quando a operação passar por momentos difíceis, e todas passarão, a decisão de interrompê-la ficará menos atrativa para o seu cérebro, uma vez que também envolverá perder alguma coisa, e qualquer perda é, na sua essência, um sofrimento. Não deixe que o caminho mais fácil seja parar.

Infelizmente, a maioria das pessoas que investiram ou investirão em robôs perderão dinheiro.  Mas por incrível que pareça, isso tem muito pouco a ver com a qualidade da estratégia do robô, e muito mais com uma autossabotagem, que as impede de atingir o longo prazo e, consequentemente, os ganhos.

Faça um favor ao seu patrimônio. Se comprometa com o longo prazo.

Um abraço!